Como o coronavírus modifica a educação?

A pandemia do novo Coronavírus atingiu o mundo como uma avalanche. Para que pudéssemos cuidar da nossa saúde e nos prevenir do vírus, a sociedade precisou se adaptar rapidamente à uma nova realidade e com a educação não foi diferente. Com as portas fechadas desde o início do ano, escolas do Brasil inteiro tiveram que se reinventar para continuar educando da melhor maneira possível, mesmo com todas as dificuldades da nova realidade. “Com o passar dos dias e agravamento da pandemia no Brasil, fomos nos dando conta de que esse processo seria muito maior que o esperado e que mesmo o retorno será totalmente diferente” aponta Lara Gil, professora do 1° ano D na Santi. “Acredito que o trabalho das professoras e professores do Brasil foi um dos mais afetados, pois tivemos que aprender e adaptar muita coisa em pouco tempo.”

Do ponto de vista dos alunos, a transição para o ensino à distância também não é fácil. Além dos desafios técnicos e tecnológicos presentes na situação que estamos vivendo, o sentimento de incerteza e insegurança decorrentes deste momento podem dificultar o processo de ensino e aprendizagem dos estudantes. 

Alunos do 9º ano pesquisando sobre o novo coronavírus

Aqui na Santi, desde o início dos alertas da OMS sobre a pandemia, nosso professor de ciências Stefan Bovolon começou a trabalhar temas relacionados ao coronavírus com os alunos do Ensino Fundamental I e II, estimulando o diálogo e ajudando a minimizar o impacto inicial da chegada do coronavírus no país. “Toda adaptação requer tempo e esse tempo varia de pessoa para pessoa, de função para função. Eu acredito que a escola sempre mostrou-se aberta a respeitar este tempo e, inclusive, dar abertura ao diálogo para podermos conversar sobre outras opções que pudessem facilitar nossa adaptação”, conta o professor. “A escola me deu liberdade de poder trabalhar esta temática com os meus alunos de Ensino Fundamental 2, os quais, conjuntamente comigo, fizeram trabalhos sobre o tema e divulgaram em mídias sociais de notícias. Dessa forma, acredito que o choque como um todo foi minimizado, pois já estávamos trabalhando internamente com este assunto.”

Diante de um cenário tão desafiador, com tantas mudanças repentinas, os ajustes foram acontecendo aos poucos, implementando novas tecnologias, novos métodos e novos procedimentos, que vão desde vídeos com instruções gravados previamente, até o uso de aplicativos específicos para a rotina escolar e encontros virtuais, permitindo a manutenção das aulas, a socialização com os colegas e buscando contribuir ao máximo para tornar esse momento atípico mais agradável. “No começo foi um susto, nunca imaginaríamos dar aula para crianças, ainda mais tão pequenas, de forma on-line, à distância”, explica Lara Gil. Segundo a professora, as aulas on-line foram se qualificando progressivamente para atender todas as demandas, tanto de acolhimento e socialização, quanto de conteúdo de sala de aula, trazendo essas novidades para o dia a dia das crianças de forma que elas possam assimilar a situação e continuar aprendendo. “Foi e ainda é um processo de muitos desafios, aprendizados, stress e de alegria também ao encontrar as crianças e perceber que temos essa possibilidade e o quanto elas também estão se desenvolvendo mesmo que à distância”, diz a professora. 

Mesmo com as adversidades, podemos dizer que a conjuntura atual também trouxe à tona novas possibilidades de trabalho e abordagens de ensino, principalmente no que diz respeito às ferramentas tecnológicas adotadas no dia a dia, que podem ganhar outra profundidade e importância na rotina escolar, permitindo que novas atividades, interações e situações possam ser aprimoradas ainda mais em conjunto a turma. “Acredito que a educação tem várias perspectivas, desde qualificar melhor ensino híbrido, ensino totalmente em EAD, práticas inclusivas nestes ambientes, práticas de grupo, ferramentas tecnológicas e seu acesso para todos igualmente, e como garantir também que os estudantes tenham acesso para estas tecnologias, independente da região onde morem ou de sua colocação social”, aponta o professor Stefan Bovolon. 

Com novas opções para modalidades de ensino, ferramentas extras podem ser aplicadas em processos comuns da rotina escolar para realizá-los também de maneira remota, além de permitir novas experiências e possibilidades para os professores trabalharem com os alunos, que também estão se adaptando cada vez melhor ao contexto e ao uso da tecnologia. “As crianças nos surpreenderam em muitos aspectos, não imaginávamos alfabetizar crianças dessa forma e muitos estão conseguindo se desenvolver” relata Lara Gil. “Elas também estão se aproximando de ferramentas digitais que não eram tão exploradas antes e que podem ser parceiras potentes do processo de ensino/aprendizagem”, finaliza.

 

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